RESUMOSIV Semana Acadêmica da Filosofia - 2007
O COGITO E A CONSCIÊNCIA DE SI EM RICOEUR E SARTRE.
Adelar Conceição dos Santos*
1- Objeto de estudo: o Cogito nas filosofias de Ricoeur e Sartre.
2- Referencial teórico usado: utilizam-se os referenciais da fenomenologia e da hermenêutica de Ricoeur e a ontologia fenomenológica de matriz sartreana.
3- Metodologia: análise e confronto dos textos em que os respectivos autores apresentam sua crítica a noção de sujeito moderna centrada na figura do Cogito.
4- Resultados obtidos: separação do problema entre os campos da ontologia e da filosofia prática e a delimitação conceitual dos âmbitos do Cogito e Cogito pré-reflexivo, consciência de si irrefletida e autoconsciência reflexiva.
O objetivo do presente texto é fazer um contraponto entre duas perspectivas da crítica das “filosofias do sujeito” modernas. Toma-se como ponto de partida a crítica de Ricoeur a significação filosófica do Cogito enquanto fundamento, na figura do “cogito partido”. Em seguida busca-se indagar em que medida a posição ricoeuriana representa um avanço com relação à crítica do sujeito moderno e em que medida permanece ainda tributária desta posição. Finalmente, como contraponto, apresenta-se a crítica de Sartre ao Eu transcendental.
Entre estas duas críticas das filosofias do Cogito, tenta-se mostrar até que ponto, diferente de Ricoeur, Sartre busca uma solução para o problema do Cogito como fundamento dentro da própria perspectiva fenomenológica. Tal como Ricoeur, ele compartinha da visão de que o Cogito não pode ser suprimido por uma instância totalizante, contudo, diferente deste, Sartre busca a solução para esta aporia numa instância pré-reflexiva e não numa filosofia prática, a qual já pressupõe de início a reflexão.
(*) Acadêmico do Programa de Mestrando em Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, CEP: 95107-900, Santa Maria, RS – Brasil. E-mail: adelarconceicao@hotmail.com SUBJETIVIDADE ÉTICA EM LÉVINAS:
A LIBERDADE “INVESTIDA” COMO RESPONSABILIDADE PELO OUTRO.
Cristiano Cerezer*
Resumo: Qual a premência da ética na gênese do humano? Como se vinculam e relacionam liberdade e responsabilidade no sujeito concreto? A ação moral é uma estância prática espontânea de um “eu racionalmente forte” ou é uma resposta exigida por uma “realidade estrangeira”_ um outro que vêm de fora com iminência traumática? Eis algumas questões de fulcro no itinerário de uma reflexão arguta acerca da eticidade e racionalidade, constitutivas do homem. O presente artigo visa estabelecer uma abordagem crítica da “subjetividade” a partir da metafenomenologia e proto-filosofia ética, enunciadas pelo filósofo franco-lituano Emmanuel Lévinas, como uma “abertura mais profunda” dentro do método fenomenológico. No escopo da escrita levinasiana, aqui analisada e tematizada, há uma “subversão” da noção tradicional de liberdade autopositiva e totalizante em liberdade “investida” pela realidade provocadora do outro: outrem chama eticamente o eu a responder com a unicidade de sua identidade de falante. Desfilam na tessitura de tal filosofar os temas da morte, da fruição, do desejo, do trauma, do tempo, do rosto e da palavra. Faz-se, ichi ad hoc, um esboço_ eventual e oportunamente aguçado, de uma nova teoria da subjetividade fundada na ética, onde o sujeito é transido pela alteridade e se expressa (“fala”) livremente enquanto responsável-respondente.
Palavras-chave: subjetividade; alteridade; liberdade; responsabilidade.
Objetivos:
1. Enunciação da teoria meta-fenomenológica e proto-ética levinasiana, suas bases e seu sentido crítico-metodológico;
2. Descrição das categorias de alteridade, egoidade, totalidade e infinito;
3. Análise do vínculo-implicação entre liberdade e responsabilidade;
4. Perfilamento da noção da “subjetividade ética” ou constituição do eu humano como “unicidade do falante responsável”.
(*) Cristiano Cerezer – Acadêmico do curso de Filosofia UFSM , iniciante nas pesquisas de rigor científico requeridas pela FAPERGS por ocasião do projeto “Fenomenologia e Razão Prática” do Ph.D. Marcelo Fabri. Email: cristianocerezer@gmail.com. Tel.: 99787232. IDENTIDADE PESSOAL: UMA RELAÇÃO DE RELAÇÕES
João Batista Botton*
RESUMO
O presente texto explora o conceito ricoeuriano de si-mesmo e as implicações narrativas que lhe possibilitam concernir à identidade pessoal. Sobretudo, investiga-se aqui a dialética interna a este conceito entre mesmidade e ipseidade, os usos superiores da noção de identidade implicados na caracterização do si-mesmo, na tentativa de estabelecer a primazia existencial da segunda sobre a primeira.
O conceito ricoeuriano de si-mesmo pretende escapar a aporia dicotômica surgida do confronto de duas grandes tradições filosóficas. De um lado o eu substancialista do cogito cartesiano, do outro, a pura diversidade de estados psíquicos que a postulação da falsidade deste cogito revela. Para tal, Ricoeur, a partir do tipo de coesão e inteligibilidade produzidos pela trama narrativa, põe em movimento dialético os dois usos maiores do conceito da identidade. Fazendo surgir assim um si que se dispõe nas narrativas culturais, que prescinde de qualquer essência e tampouco se perde em um puro diverso de volições e cognições, um si que não cai sob a categoria de substancia, mas vincula-se à de relação.
(*)Acadêmico de graduação em Filosofia da UFSM, Santa Maria – RS – Brasil. E-mail: jb_botton@yahoo.com.br O DILEMA MORAL SEGUNDO BERNARD WILLIAMS*
Lauren de Lacerda Nunes** Ricardo Bins Di Napoli***
A abordagem acerca do dilema moral realizada por Bernard Williams se caracteriza por ser uma parte dos resultados obtidos até então pelo projeto “Contratualismo moral, justiça e bioética”, que tem por eixo temático principal o estudo dos dilemas morais através da análise das perspectivas de diferentes autores que os estudaram. O que seria exatamente um dilema moral, é a pergunta crucial a ser respondida por este trabalho. Podemos dizer, muito brevemente, que é quando um agente se encontra frente a uma escolha moral difícil de ser realizada, estando, na maioria dos casos, entre duas alternativas que deverá escolher. Mas poderá escolher apenas uma delas, pois as circunstâncias não permitem que ele escolha as duas, que faça as duas. Ele só poderá realizar uma das alternativas, e a outra se perderá no tempo. Realizar uma, implica não realizar a outra. Elas são mutuamente exclusivas. Eis o dilema. Na idade média, a existência dos dilemas morais foi pela primeira vez abordada e negada. Segundo a concepção da época, o agente só se encontrava em tal situação porque teria uma visão distorcida da realidade e ausência em seu caráter de uma virtude chamada “prudentia”. Durante a idade moderna o dilema foi novamente abordado e negado por Kant e J. S. Mill. Apenas na contemporaneiade, a questão dos dilemas foi tratada com relevância, e teve como marco inicial o personagem de Sartre em seu artigo “O existencialismo é humanismo”. A partir daí, outros autores passaram a dedicar-se mais enfaticamente ao tema, a exemplo de Bernard Williams.
Para a presente abordagem da visão de Bernard Williams, foi utilizado o seu artigo intitulado “Ethical Consistency”, onde o autor se detém basicamente na análise da natureza do dilema moral. Analisar a natureza do dilema moral implicou para o autor analisar se o mesmo pode ser tomado como um dilema entre crenças mutuamente exclusivas do agente, ou entre desejos mutuamente exclusivos que o mesmo possua. Ele também se deteve no papel que as emoções e os sentimentos desempenham no momento do dilema, particularmente, o papel que o “arrependimento” desempenha. A análise de questões lógicas e da estrutura da linguagem e do pensamento moral também de extrema relevância para o esclarecimento do tema, foram tópicos também desenvolvidos pelo autor neste artigo. Porém, no momento, como já foi dito, apenas nossos primeiros resultados, ou seja, apenas a natureza do dilema, o papel das emoções no momento em que ele ocorre, e se ele é entre crenças ou entre desejos.
(*) Projeto financiado pelo CNPQ
(**) Acadêmica do curso de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM – RS. E-mail: lauren_lln@yahoo.com.br
(***) Professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: rbnapoli@terra.com.br
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